Noite Sombria
Faz muito frio, eu tenho medo. Os fantasmas dos meus sonhos me perseguem por toda escuridão. Quando dou por mim, encontro-me caído num beco sujo. Estou bêbado, não tanto quanto os mendigos à minha volta. Levanto-me e tenho a impressão de que todos me olham como se ali estivesse um ser bizarro. Noto um pequeno espelho quebrado no chão, pego-o e observo minha imagem: cortes pelo rosto e barba por fazer retratam a minha decadência. Meu corpo parece um inferno, meus olhos pesam duas toneladas e na minha cabeça explodem mil e duzentas granadas. Já não suporto as dores no meu estômago, me sinto fraco e incapaz. A doença me consome, sou escravo de meia dúzia de remédios de tarja preta e das drogas que me escondem a realidade. Vou aos poucos me tornando podre, por dentro e por fora. Minha agonia parece real, meu fim, iminente. Se pelo menos ela me desse um carinho...