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Nuvens
I
Às vezes brinco com o silêncio, são os gritos de dor cravada no meu coração. Queria ao menos lembrar os olhos da minha amada, mas o meu flagelo não mo permite. Não sou criminoso, apenas um sonhador cujo único pecado foi amar. Talvez quisesse aceitar a morte, mas os vivos não me deixam ir, mal compreendem as inquietudes da alma que jaz no corpo.
II
Quando em quando, ouço um samba onde percebo seu sorriso... as lágrimas já me correm o rosto. Fecho os olhos e esqueço por alguns segundos que ela existiu, porém se torno a abri-los sua presença se faz mais forte. Invento então um jogo de abrir e fechar de olhos que a aproxima cada vez mais de mim até que ela se senta ao meu lado. Ela me põe no seu colo, faz um chamego e eu durmo contente.
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