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Poesia
No mundo dos meus sonhos uma garotinha jogava cartas ao vento como se atirasse pedras n'água. Bonita, com seus cabelos negros trançados até a cintura e algumas sardas espalhadas pelo rosto que lhe denunciavam sua inocência. Sumia num vestido antigo, desses bordados que não se veem mais. Ao seu lado havia margaridas, alguns lírios e umas poucas rosas, mas coloriam aqueles jardins de modo onírico. Sabiás, bem-te-vis e canários cantavam em sua volta, sob a batuta de um velho cardeal. Havia ainda um beija-flor (ah... o beija-flor!) repousado em sua mão. Por quase um instante, meus olhos, meus encantos, meus delírios me enganaram... e o meu coração chorou. Percebi que as cartas que ela soltava ao vento eram os dias que eu perdia longe dela.
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