top of page
Voltar

Sobressaltos

I

Dois velhos amigos conversam
num banco da praça.
Contam o tempo,
distraem a tristeza
e pensam naqueles dias em que se sonharam felizes...
hoje aprenderam que sem sorriso não há lágrimas.

II

Um senhor,
bigode espanhol, olhar português,
caminha com os dedos pela ampulheta,
vê no escorrer dos grãos
a vida que passa.

Ele só observa.

III

Os meninos parecem saídos do inferno
ou do céu,
conforme o ponto de vista.
Alegria e alvoroço
assustam quem tem mais anos.
Alegria e alvoroço,
transmitem a magia das crianças.

IV

Jesus disse:
"Eu sou o caminho, a verdade e a vida,
ninguém vai ao pai senão por mim."
Buda disse:
"Não acredite em nada do que digo,
experimente por conta própria."
Crer ou não crer, eis a questão.

Há uma questão?

V

Quem é você?
Quem sou eu?

VI

Olhe nas dezessete direções
onde começa ou termina a realidade
lembre de um medo de infância
ou de um antigo namorado
onde começa ou termina a realidade.

VII

Certa vez, não sei se li ou se ouvi,
pouco importa,
eu soube de um comentário feito por um astro do Rock
que nas ruas de Dublin
presenciara uma parede assim pichada:
"Deus está morto"
Nietzsche
"Nietzsche está morto"
Deus
Estão?

VIII

Quando ainda tinha tempo para revoluções,
aquele senhor sentado no banco da praça a ler um jornal
militava no Partido Comunista.
Felizes aqueles tempos em que havia um Partido Comunista.

IX

Um homem de meia-idade e sua esposa passeiam com os filhos,
uma menina naquela faixa dos dez anos,
e o rapaz um pouco mais novo na idade e mais velho na atitude.
Parece aqueles passeios típicos de uma família cristã num dia
de domingo,
ontem era sábado,
dia de descanso para seus vizinhos judeus.

Mês que vem é o Ramadã.

X

Há certos espécimes que não se deve criar em cativeiro,
pássaros e humanos em especial,
a melodia nunca é tão doce quanto a aurora no mar.

I

Dois velhos amigos conversam
num banco da praça.
Contam o tempo,
distraem a tristeza
e pensam naqueles dias em que se sonharam felizes...
hoje aprenderam que sem sorriso não há lágrimas.

II

Um senhor,
bigode espanhol, olhar português,
caminha com os dedos pela ampulheta,
vê no escorrer dos grãos
a vida que passa.

Ele só observa.

III

Os meninos parecem saídos do inferno
ou do céu,
conforme o ponto de vista.
Alegria e alvoroço
assustam quem tem mais anos.
Alegria e alvoroço,
transmitem a magia das crianças.

IV

Jesus disse:
    "Eu sou o caminho, a verdade e a vida,
    ninguém vai ao pai senão por mim."
Buda disse:
    "Não acredite em nada do que digo,
    experimente por conta própria."
Crer ou não crer, eis a questão.

Há uma questão?

V

Quem é você?
Quem sou eu?

VI

Olhe nas dezessete direções
onde começa ou termina a realidade
lembre de um medo de infância
ou de um antigo namorado
onde começa ou termina a realidade.

VII

Certa vez, não sei se li ou se ouvi,
pouco importa,
eu soube de um comentário feito por um astro do Rock
que nas ruas de Dublin
presenciara uma parede assim pichada:
    "Deus está morto"
    Nietzsche
    "Nietzsche está morto"
    Deus
    Estão?

VIII

Quando ainda tinha tempo para revoluções,
aquele senhor sentado no banco da praça a ler um jornal
    militava no Partido Comunista.
Felizes aqueles tempos em que havia um Partido Comunista.

IX

Um homem de meia-idade e sua esposa passeiam com os filhos,
uma menina naquela faixa dos dez anos,
e o rapaz um pouco mais novo na idade e mais velho na atitude.
Parece aqueles passeios típicos de uma família cristã num dia
    de domingo,
    ontem era sábado,
    dia de descanso para seus vizinhos judeus.

Mês que vem é o Ramadã.

X

Há certos espécimes que não se deve criar em cativeiro,
pássaros e humanos em especial,
a melodia nunca é tão doce quanto a aurora no mar.

bottom of page