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A imagem e a donzela

Leve neblina encobre
A minha praia deserta.
O mar tranqüilo descobre
A pequena laje de pedra.

Suave brisa passeia
Nos meus cabelos confusos.
O meu castelo de areia
Desmorona em poucos segundos.

Do pequeno coqueiro a sombra
Serve-me de guarda-sol.
Enquanto gaivotas voam
Em direção ao atol.

Ouço aves cantando
Fascinantes melodias.
Cousa quase tão bela
Quanto a nona sinfonia.

Vejo das águas surgir
Uma belíssima imagem.
Fico querendo tê-la,
Mas não tenho coragem.

A imagem me olha
Como se eu fosse alguém.
Olho fundo na imagem,
E vejo que sou ninguém.

Assim, tiro o olho do mar
E volto-me para a enseada.
Nem-mal acabo de virar
E vejo uma linda donzela.

Meus olhos demoram a crer
No que está deles diante.
E o meu coração está a bater
Como nunca bateu antes.

A neblina já não encobre
A praia lotada que não é minha.
O mar agifado recobre
A grande laje de pedra.

O vendaval incendeia
Os lisos cabelos dela.
E o meu castelo de areia
Ergue-se para a donzela.

O enorme coqueiro some
Queimado pelos raios do Sol.
E as gaivotas fogem
Temendo o que está no atol.

O som que ouço das aves
Já não é resquício de sinfonia.
Não sei como descrever
Esta estranha melodia.

Encaro, então, a imagem
Que se funde à donzela.
Noto que nasce a mulher,
Dentre todas a mais bela.

Com o que há diante mim,
Desfaleço de emoção.
Não sei como não morri
Em face de tal visão.

Abro de leve os olhos,
Percebo que ela me sorri.
Quando me fixo na mulher,
Eu te vejo parada ali.

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