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Essas coisas que a gente esconde dos sentimentos

Numa carta de amor
que li n’outro dia
havia um versinho
que me ilustrou um segredo
– essas coisas que a gente esconde dos sentimentos.

Era uma gota de chuva, ou choro,
que caiu no ombro errado
como o outono a suceder o inverno.

Sempre há uma casa
no alto de um morro
envolto em neblina.

Minha hora passou,
a colheita estragou,
e nunca soube lhe dar flores,
nem mesmo um sorriso...

A tristeza é natural em abril,
a poesia recrudesce o desconforto,
não há outra saída.

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