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O dia de minha morte

Sentar-me-ei na cabeceira vazia
Pois é ali que sentam os mortos
Que ainda permanecem vivos.

Escreverei cartas a todos
Aqueles que me acompanham
Nesta longa jornada da vida.

Contemplarei um copo d'água
Deixada para eu beber
Antes do último suspiro.

Não comentarei meu iminente fim,
Mas chamarei a minha amada
E pedirei um beijo de despedida.

Rezarei três ave-marias,
Como se isto fosse salvar
A minha alma perdida.

Só então, respirarei pela última vez,
Fecharei, serenamente, os olhos,
E irei ao encontro da morte.

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