Melancolias
- Gustavo Noronha
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Livro: Em busca de Pindorama
i.
Faz tristeza quando chega agosto,
uma lágrima seca,
a palavra errada.
Tão mais fácil brincar,
o comezinho escapa dos adultos,
mas já não posso (sei) sorrir...
No fim da estrada
percebi que errei o caminho,
e já não tinha volta.
Voltei,
e ela não estava mais lá,
ninguém estava.
E voltou agosto.
ii.
Cai a noite enquanto choro,
perguntam se está tudo bem,
disfarço um sorriso.
Já sufoquei gritos,
o coração emudeceu.
Escorreguei numa armadilha,
apatia,
medo,
insegurança...
Procurei meus amigos,
mas já tinham suas vidas.
Flertei com a esperança
em tempos sombrios,
teria sido melhor acender um
baseado.
Machucado, sem rumo,
não encontrei o mapa para
Pasárgada,
esqueci a rota para Ítaca...
Resolvi caminhar.
iii.
Ah...
se coubesse em uma palavra a dor
que sinto,
mas não alcanço...
O infinito se traduz impenetrável.
O absurdo se impõe
em tempos cruéis...
Tantas travessias,
e nos percebemos sozinhos,
sem ela, sem ele, nem elas...
O abismo olhou dentro mim,
tornei-me um monstro.
iv.
Desejo a primavera que já não é
certa,
esqueço outra lágrima,
em meio ao poema,
solidão.
2 de 30 — Em busca de Pindorama
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