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Castelos no ar

Livro: Idiossincrasias

A gente constrói tantos castelos no ar

pensando que algum dia,

por qualquer razão idiota,

vai se invadir seus salões

e viver um mundo diferente,

uma ilusão fugidia…

 

A gente se esconde em falsos sorrisos,

sufoca as lágrimas,

porque parecer feliz

é sempre mais importante que estar presente,

quantos instantes desperdiçados,

para que tantos subterfúgios?

 

A gente inventa uma canção

para adormecer o desejo,

desconversa o que nos perturba,

esquece de dizer não,

e tampouco afirma o que quer…

 

A gente vê tanta injustiça no mundo,

a dor dos outros

dói mais em que não sabe dançar,

eu não sei dançar,

mas danço porque assim não sinto a dor,

que dor?

 

A gente ouve histórias de um deus menino,

um subversivo,

e meu coração subverte o que sinto,

o cordeiro que veio tirar o pecado do mundo

trouxe a guerra ao pregar a paz,

as coisas sempre ficam confusas nessa época do ano…

 

A gente aprende que o amor rege o universo,

desaprendi tanta coisa com tudo que vi,

 

49 a lógica não tem sentido,

não me encaixo,

não desapego,

hoje só sei esconder a tristeza.

 

A gente se perde pelo caminho,

sou aquele que todos sempre apostaram tudo,

o cara inteligente, articulado,

maluco beleza, amigo de todos,

bonito, bem humorado, o exemplo,

mas hoje olho no espelho e não sei quem está lá,

fui me desconhecendo,

gordo, relapso, fugaz...

várias carapuças me serviram,

olho pro lado,

nunca estive tão só…

 

A gente segue na vida,

reencontra sonhos antigos,

embaralha emoções,

transforma-se,

ainda tem muitos versos pra procurar por aí…

27 de 44 — Idiossincrasias

 
 
 

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