Dia das mães
- Gustavo Noronha
- há 6 dias
- 2 min de leitura
Livro: Idiossincrasias
i.
(Todas as mães)
Foi aà que inventaram que um dia,
as razões nunca foram explÃcitas,
em que estas mulheres, mágicas,
doadoras do milagre da vida,
deveriam ser celebradas...
Hipocrisia de uma sociedade patriarcal,
de homens que sequestram o poder,
um poder que grita pra ser
mais forte que o amor...
Ahhh, mas não contavam com o sangue de Vênus,
regido pela única lei, o amor,
que cresce no ventre, toca corações,
se espalha na alma.
Sua luta inspira, comove,
alimenta no seio esperanças de um mundo melhor.
Supera a jornada dupla, tripla,
uma renitente disputa
por outro mundo possÃvel.
Uma sociedade em crise,
onde coisas valem mais que sentimentos,
inventou esse dia pro comércio fugaz,
mas ele será o embrião,
que elas gestarão com prazer,
de um sonho, de uma vida,
da orquestra sob sua regência...
44 ii.
(minha mãe)
Por cada
sorriso quando eu era lágrima,
carinho quando eu tava só,
conselho quando eu tinha dúvidas,
abraço quando vi a dor, e até
bronca quando fiz besteira
(e nem foram tantas).
Eu agradeço.
Por tudo que me ensinou,
pelo senso de justiça,
pela defesa intransigente de uma sociedade mais
fraterna,
por encontrar no amor a solução mais simples
e entender que o amor é uma questão polÃtica,
por me mostrar a importância da entrega em nome dos
outros.
Como não agradecer?
Por cada
sorriso emprestado,
carinho encontrado,
conselho inventado,
abraço apertado, e
bronca bem dada.
Eu realmente agradeço.
iii.
(a mãe da Sofia)
O primeiro sorriso,
um pingo de gente na palma da mão,
a pequena cresceu,
o amor se expandiu,
como isso coube dentro de ti?
Erramos,
acertamos,
e a cada novo sorriso,
um nova razão
pra ser feliz.
Ah, se eu pudesse,
te fazia um altar,
canonizava teu sorriso,
porque é teu,
mas é da pequena também.
Entre tropeços e reequilÃbrios,
as definições de amor foram atualizadas.
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