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Dia das mães

Livro: Idiossincrasias

i.

(Todas as mães)

 

Foi aí que inventaram que um dia,

as razões nunca foram explícitas,

em que estas mulheres, mágicas,

doadoras do milagre da vida,

deveriam ser celebradas...

 

Hipocrisia de uma sociedade patriarcal,

de homens que sequestram o poder,

um poder que grita pra ser

mais forte que o amor...

 

Ahhh, mas não contavam com o sangue de Vênus,

regido pela única lei, o amor,

que cresce no ventre, toca corações,

se espalha na alma.

 

Sua luta inspira, comove,

alimenta no seio esperanças de um mundo melhor.

Supera a jornada dupla, tripla,

uma renitente disputa

por outro mundo possível.

 

Uma sociedade em crise,

onde coisas valem mais que sentimentos,

inventou esse dia pro comércio fugaz,

mas ele será o embrião,

que elas gestarão com prazer,

de um sonho, de uma vida,

da orquestra sob sua regência...

 

44 ii.

(minha mãe)

 

Por cada

sorriso quando eu era lágrima,

carinho quando eu tava só,

conselho quando eu tinha dúvidas,

abraço quando vi a dor, e até

bronca quando fiz besteira

(e nem foram tantas).

Eu agradeço.

 

Por tudo que me ensinou,

pelo senso de justiça,

pela defesa intransigente de uma sociedade mais

fraterna,

por encontrar no amor a solução mais simples

e entender que o amor é uma questão política,

por me mostrar a importância da entrega em nome dos

outros.

Como não agradecer?

 

Por cada

sorriso emprestado,

carinho encontrado,

conselho inventado,

abraço apertado, e

bronca bem dada.

Eu realmente agradeço.

 

iii.

(a mãe da Sofia)

 

O primeiro sorriso,

um pingo de gente na palma da mão,

a pequena cresceu,

o amor se expandiu,

como isso coube dentro de ti?

 

Erramos,

acertamos,

e a cada novo sorriso,

um nova razão

pra ser feliz.

 

Ah, se eu pudesse,

te fazia um altar,

canonizava teu sorriso,

porque é teu,

mas é da pequena também.

 

Entre tropeços e reequilíbrios,

as definições de amor foram atualizadas.

24 de 44 — Idiossincrasias

 
 
 

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